Uma lei que virou hábito

Nilson Ferraz Paschoa


O que há um ano era motivo de debates acalorados, hoje não se discute mais. A lei antifumo virou um saudável hábito e o cheiro de fumaça em ambientes fechados de uso coletivo faz parte do passado.


Quem saiu ganhando foi a população, formada por uma maioria esmagadora de não fumantes, mas os próprios tabagistas foram beneficiados, uma vez que nem eles estão mais expostos à poluição da fumaça do cigarro alheio em recintos fechados.


No último dia 1º de agosto um grande jornal da cidade de São Paulo publicou reportagem confirmando que, diferentemente do que diziam alguns representantes do setor de bares, restaurantes e hotéis, o movimento nesses estabelecimentos continua o mesmo do período anterior à lei.


A matéria comprovou, ainda, que a fiscalização realizada pelos cerca de 500 agentes da Vigilância Sanitária e do Procon foi absolutamente eficiente, percorrendo todo o Estado.


As pessoas que antes freqüentavam locais onde fumar era permitido estavam expostas a substâncias que podem causar sérios danos a saúde, como câncer e problemas cardiovasculares.


Foi, portanto, para o bem da saúde pública que a população e os estabelecimentos, em sua imensa maioria, respeitaram a legislação.


Cabe, aqui, uma homenagem ao médico Luiz Roberto Barradas, secretário de Estado da Saúde de São Paulo, que infelizmente faleceu em julho e deixou o SUS (Sistema Único de Saúde) órfão de um de seus principais defensores. A lei antifumo tem a cabeça, o coração e as mãos do Dr. Barradas.


É gratificante constatar que o exemplo de São Paulo serviu para outros estados e municípios paulistas aprovarem legislações similares contra o tabaco. Com esta medida, demos mais um passo na defesa da saúde de todos os paulistas.


Nilson Ferraz Paschoa, 59, médico, é secretário de Estado da Saúde de São Paulo


Fonte: Diário de S. Paulo